Chile no Verão: Nossa Experiência Completa em Santiago (Trabalhando e Viajando)
Recentemente fizemos uma viagem para o Chile, mas com uma pegada diferente do óbvio: enquanto a maioria das pessoas viaja para lá no inverno para curtir a neve e as montanhas nevadas, a gente aproveitou o feriado de Carnaval aqui no Brasil para conhecer Santiago no verão.
Neste artigo, contamos como foi nossa vivência por lá — os perrengues, as descobertas boas e tudo o que valeu a pena guardar na memória. Se você está pensando em visitar o Chile fora da temporada de esqui, ou até trabalhando remotamente durante a viagem, esse relato vai te ajudar a decidir se faz sentido para o seu perfil.
Trabalhando durante a viagem ao Chile
Diferente do que muita gente imagina, fomos para o Chile trabalhando. Não conseguimos tirar férias, então a ideia desde o início era encaixar o trabalho remoto na rotina da viagem.
Como caiu no período de Carnaval, tivemos alguns dias de folga naturais: segunda, terça e quarta ficaram livres, e só precisamos trabalhar na quinta e na sexta-feira. Isso tornou tudo bem mais tranquilo — inclusive, um dos dois só teve que trabalhar meio período na quarta.
Internet e chip local: o maior desafio
Um ponto que pegou no início foi a falta de Wi-Fi decente no Airbnb. A solução foi contratar um chip de internet chilena assim que chegamos:
- Compramos um chip da operadora Entel, por cerca de R$ 80.
- O plano vinha com uma quantidade generosa de dados (algo em torno de 500 “tickets” de dados).
- A cobertura 4G/5G era excelente em praticamente toda a cidade — inclusive quando fomos até Viña del Mar, no litoral.
- A atendente da loja cadastrou o chip com os dados dela mesma, já que era um plano temporário e não tínhamos CPF chileno. Foi um processo simples, rápido e bem receptivo.
Usamos essa internet para trabalhar, fazer videochamadas e resolver tudo que precisávamos — sem grandes dores de cabeça.
Coworking gratuito em Santiago
Uma descoberta bacana foi um espaço de coworking público em Santiago, ligado a uma espécie de “Sistema S” chileno (parecido com o Senac no Brasil), voltado para empreendedorismo. Ficava no centro da cidade e não exigia ser cidadão chileno para usar — bastou apresentar o passaporte.
O espaço tinha biblioteca, ambiente receptivo e ficava perto de restaurantes e sorveterias. Passamos praticamente o dia inteiro trabalhando de lá, e foi uma das melhores surpresas da viagem. Essa é uma dica valiosa para quem também for para o Chile sem conseguir tirar férias.
Hospedagem: onde ficar em Santiago no verão
Alugamos um Airbnb pequeno — um estúdio com cozinha compacta, banheiro, uma salinha e uma sacada — localizado no centro-sul de Santiago.
A localização foi um dos grandes acertos da viagem:
- Ficava ao lado de uma praça super movimentada, com aulas de patins e dança acontecendo o tempo todo.
- Estava próximo de supermercado, parque, estação de metrô e uma rua cheia de pizzarias, restaurantes e bares (algo parecido com a Rua XV em Curitiba).
- O centro-sul é considerado uma das regiões mais baratas de Santiago, o que compensa bastante na hora de escolher hospedagem em vez de bairros mais nobres, porém mais afastados.
O único ponto negativo foi a cama, que não era muito confortável, e a ausência de ar-condicionado — algo que pesa bastante no verão chileno, que é quente e extremamente seco.
Dica prática: leve colírio e soro nasal
Por conta do clima seco, é comum sentir os olhos e o nariz ressecados — o clima lembra bastante o Centro-Oeste brasileiro, como Goiás ou Mato Grosso. Vale a pena levar do Brasil:
- Colírio lubrificante para os olhos.
- Soro fisiológico para hidratar o nariz.
Segurança no centro de Santiago
Mesmo estando em uma região mais econômica, nos sentimos seguros o tempo todo. Como o sol se põe bem mais tarde no verão (por volta das 21h), as ruas ficam movimentadas até tarde, com gente caminhando, crianças brincando e muita atividade ao ar livre — uma experiência bem diferente do que vivemos no Sul do Brasil, onde escurece cedo.
Transporte em Santiago: uma das melhores partes da viagem
Se tem algo que realmente surpreendeu positivamente, foi o transporte público de Santiago.
Metrô de Santiago
Usamos o metrô como principal meio de transporte durante quase toda a viagem. Os pontos fortes:
- A passagem custa cerca de R$ 3,50 a R$ 4 — muito barato mesmo considerando a conversão de moeda.
- Não é necessário comprar um cartão específico: dá para pagar direto com cartão de crédito internacional.
- A maioria das linhas tem ar-condicionado e trens modernos.
O único senão fica por conta de uma linha mais antiga (temos a impressão de que era a linha azul), que roda sobre pneus, faz bastante barulho e não tem climatização — ficando bem mais quente que as demais.
Do aeroporto até o Airbnb
Como o Uber do aeroporto até o centro custaria mais de R$ 100, optamos por um ônibus (o Centropuerto) até a estação de metrô mais próxima, pagando cerca de R$ 10. De lá, seguimos de metrô até o Airbnb. A compra pode ser feita online ou na hora, em dinheiro ou cartão internacional.
Cartão internacional: a experiência com a Wise
Para pagamentos, usamos o cartão da Wise, carregado em dólar americano. Na prática, o próprio cartão converte automaticamente para peso chileno na hora da compra — e, segundo nossa experiência, essa conversão automática rendeu uma taxa de câmbio melhor do que comprar pesos chilenos diretamente.
Bicicletas gratuitas com o cartão Itaú
Um achado interessante: com o cartão Itaú Mastercard Black, é possível cadastrar o cartão no aplicativo do Bike Itaú do Chile e usar bicicletas comuns gratuitamente por até duas horas por dia. Como Santiago é bem plana e tem ciclovias por praticamente toda a cidade, pedalar foi uma forma de transporte barata e agradável, apesar do calor.
Viagem para Viña del Mar de Flixbus
Para conhecer o litoral, fomos até Viña del Mar de ônibus pela Flixbus (a mesma empresa que opera no Brasil). A passagem saiu por cerca de R$ 40, o trajeto levou por volta de duas horas, com ar-condicionado e conforto — uma experiência tranquila tanto no embarque quanto no desembarque.
O desafio do espanhol no Chile
Esse foi, sem dúvida, um dos temas mais divertidos da viagem. A gente não falava absolutamente nada de espanhol e chegou lá contando com a sorte — e com o famoso “portunhol”.
Só que a experiência mostrou uma coisa importante: o portunhol não funciona muito bem. Os chilenos já reconhecem de cara que você é brasileiro, então é melhor simplesmente falar em português mesmo, de forma pausada e clara, do que arriscar um espanhol mal articulado. Na prática, eles entendem muito bem o português quando falado com calma, e falam devagar de volta — o que deixa a comunicação bem mais leve do que parece à primeira vista.
Ao longo da viagem, fomos pegando algumas palavras e nos soltando mais. Claro que rolaram gafias no caminho — como pedir um “café tico” (pequeno) e receber olhares confusos —, mas no fim das contas, com um pouco de jogo de cintura, a comunicação flui bem.
Alimentação no Chile: o assunto mais polêmico
Se tem um ponto que costuma assustar quem vai para o Chile, é o preço da comida. E a fama é bem merecida.
Alguns exemplos do que vivemos:
- Dois combos simples de hambúrguer, batata e refrigerante em uma rede de fast food saíram por quase R$ 200.
- Um café da manhã básico no supermercado (pão, manteiga, presunto) girava entre R$ 60 e R$ 70.
- Uma manga no mercado custava mais de R$ 7.
- Um donut na Dunkin’ Donuts saiu por cerca de R$ 30.
- Um café da tarde simples chegava a R$ 50 por pessoa.
Diante disso, passamos a cozinhar mais em casa, comprando em um mercado próximo ao Airbnb (parecido com um Carrefour), embora os preços ali também fossem salgados.
Por que não experimentamos comida tipicamente chilena
Optamos por comidas mais convencionais — pizzaria, hamburgueria, um restaurante mexicano (que, aliás, foi a refeição mais cara da viagem, cerca de R$ 300) — em vez de arriscar pratos tradicionais chilenos, que simplesmente não despertaram nosso interesse ao ver as opções disponíveis.
Uma exceção deliciosa e barata foi a manga vendida por ambulantes na rua, descascada na hora e temperada com limão e sal — uma refeição de rua simples, por cerca de R$ 7 a R$ 8, e que valeu muito a pena.
Detalhe curioso: não existe sacola nos supermercados
Nos supermercados chilenos, não há distribuição de sacolas plásticas em lugar nenhum. Ou você leva sua própria sacola retornável (Ecobag), ou compra uma no local por cerca de R$ 20, ou carrega tudo na mão. É um detalhe sustentável interessante, mas que pega o turista desavisado de surpresa.
Lazer e cultura em Santiago no verão
Visitamos diversos pontos turísticos tradicionais: teleférico, parques, caminhadas e, claro, Viña del Mar. No verão, mesmo sem neve, a vista das montanhas ao redor de Santiago é ampla e bonita. A dica aqui é levar bastante água, já que o calor seco desidrata rápido.
Teatro: a melhor experiência da viagem
Sem dúvida, o ponto alto do lazer foi assistir a uma peça de teatro em Santiago, durante uma semana de comédia em um teatro pequeno. A expectativa era não entender quase nada, dada a barreira do idioma e da cultura — mas a realidade foi bem diferente.
O grupo de teatro Gato Chino, que se apresentou no Teatro Mori, entregou uma atuação tão bem construída que foi possível acompanhar toda a história e até entender as piadas, mesmo sem dominar o espanhol. Os ingressos custaram cerca de R$ 100 cada, mas valeram completamente a experiência — uma das melhores peças já assistidas.
Viña del Mar: vale a pena?
Aqui vai uma opinião sincera: não recomendamos Viña del Mar como prioridade. A cidade tem pouca coisa para fazer, e a praia decepcionou bastante — pedregulhosa, com água fria e sem a energia das praias brasileiras. Mesmo em pleno verão, o dia que passamos por lá estava frio e ventoso, com temperaturas bem abaixo dos mais de 30°C que fazia em Santiago.
Vale a pena ir para o Chile no verão?
A resposta é: depende do que você busca na viagem.
Se o objetivo é neve, montanha, esqui ou conhecer o deserto do Atacama e a Ilha de Páscoa, o inverno é, sem dúvida, a estação certa — não foi nosso caso e não é o foco desse relato.
Mas se você quer viver uma experiência mais urbana, andar pelos bairros, conhecer museus, aproveitar a cidade com as pessoas mais soltas e os dias mais longos (o sol só se põe por volta das 21h), o verão faz todo o sentido. As atividades ao ar livre são abundantes e gratuitas, o clima de rua é agradável até tarde da noite, e dá para sentir Santiago de um jeito mais vivo e despojado.
No fim das contas, avaliamos que valeu muito a pena — foi, inclusive, nossa primeira viagem internacional. Voltaríamos para Santiago sem pensar duas vezes, mas Viña del Mar provavelmente ficaria de fora do próximo roteiro.
Se você já foi ao Chile ou está planejando ir, conta pra gente nos comentários como foi (ou como está sendo) sua experiência.