SINAIS que me fizeram acreditar que sou AUTISTA e TDAH
No último vídeo eu contei um pouquinho mais sobre quais foram os custos que eu tive aí para fazer meu diagnóstico de TEIA e TDH E nesse vídeo eu vou te contar quais foram os sinais, os indícios ali que eu vinha percebendo e que me fizeram acreditar que eu poderia ter um diagnóstico positivo para alguma dessas neurodivergências. Eu busquei essa avaliação muito recentemente, né Então foi uma avaliação já na fase adulta. Muitas pessoas passam por isso na infância, na adolescência, quando esses sinais já começam a ser ali um pouco mais claros. Mas para mim isso aconteceu só agora na fase adulta, o que por um lado foi bom que eu pude ali entender muito melhor esses sinais e saber analisar, ah, todos esses traços que eu tive.
Eu montei aqui um pequeno mapeamento aqui do meu lado, então se eu tiver olhando pro lado, porque eu tô lendo um pouquinho para para não esquecer de algum ponto que seja relevante Ã. E esse vídeo eu vou dividir em algumas fases, falando um pouco sobre o passado, o presente, um pouco sobre diagnóstico também. Então a gente vai passar aí por algumas etapas, por algumas fases da minha vida, Mas começando ali, principalmente pela infância e adolescência. O primeiro ponto de atenção para mim foi o fato de que eu era um nerdzinho isolado.
Então eu era ali considerado o melhor aluno da minha turma, mas eu era muito introspectivo, então não tinha um grande ciclo social, não tinha um grande grupo de amigos, então eu não tinha toda aquela convivência, aquele grupo de pessoas com quem eu convivia durante a escola, durante a faculdade, durante a o ensino médio também. Então nunca tive esse, esse grande ciclo. Não era habitual para mim ir pra casa de. Algum amigo.
Na realidade eu acho que eu nunca fui pra casa de nenhum amigo de dormir fora. Acho que isso nunca aconteceu assim durante a minha infância e a minha adolescência. Então esse é um dos principais pontos que chamam atenção na minha infância. Outro ponto é sobre a montanha russa escolar aqui que eu me dava muito bem em algumas matérias Então.
Em matemática, por exemplo, era muito bom, em geografia eu era muito bom. Mas quando a gente ia para outras matérias, tipo biologia, história, ã, português, enfim, matérias ali mais teóricas, que exigiam um foco e uma concentração maior para entender os pormenores de forma muito teórica, eu era horrível. Então eu era um bom aluno. Mas quando eu cheguei no ensino médio- ali principalmente que as matérias teóricas foram ganhando mais peso, eu acabei, eu acabei ficando de recuperação algumas vezes e tendo ã essas experiências negativas assim durante durante esse tempo.
E tem um outro sinal que é bem comum, também pelo que eu conversei com com a psicóloga, que é o famoso fazer o xixi na cama até um pouco mais tarde. No meu caso eu fui até ali próximo de 15 anos de idade, que é bastante tarde, é bem fora da curva. Eu até anotei aqui o nome correto é enurese noturna. Então fazer xixi na cama não é um termo muito legal, A gente usa enurese noturna, Então isso persistiu comigo até os 15 anos de idade, ali, mais ou menos Geralmente, eu acho que isso acaba, sei lá, com 7,, 8 anos talvez.
Então esse é um mais, um risquício, mais um ponto, aliás, que me fez ter essa perção, percepção de que eu talvez fosse, fosse neurodivergente, mas eu tenho um pouco de dificuldade de lembrar muitas coisas. Da minha infância. Então acabou que, conversando com a psicóloga, os pontos que eu mais trouxe foram relacionados ao presente mesmo. Então o primeiro ponto voltado ali pro pro TDAH é a questão da mente congestionada, então de ter muitas coisas sendo processadas.
É como se fosse um navegador com várias abas abertas. Sabe, Tenho muita coisa rodando aqui na minha cabeça, muita coisa se passando na minha cabeça o tempo todo. Então, enquanto eu tô fazendo um trabalho, eu tô pensando no lanche que eu tô pensando em limpar a casa, que eu tô pensando em como resolver outro problema. Então tudo isso acontece meio que em tempo real.
Então para mim é bastante comum ter a sensação de cabeça estourando de muitos pensamentos, de muitas coisas se passando. Então é difícil muitas vezes manter o foco, justamente por isso de são muitas coisas que se passam na minha cabeça ao mesmo tempo Ã. Outro ponto é sobre a procrastinação Ã. Eu acho que aqui é um ponto delicado que às vezes a gente tenta colocar tudo na conta do TDAH.
Né A falta de esforço, muitas vezes a gente coloca nessa conta no TDH, mas eu sempre fui uma pessoa bastante esforçada e bastante dedicada para fazer as coisas que eu quiser, que eu queria dessem. Certo assim, mas mesmo assim a procrastrinação foi um ponto bastante complicado para mim, Porque eu gosto muito de planejar, de anotar, de organizar, mas na hora de executar isso é isso é um grande problema para mim. Eu já trouxe inclusive vários vídeos aqui no canal sobre planejamento, organização, mas eu entro nesse lugar de. Eu me considero uma pessoa produtiva, mas ainda assim eu acho que a procrastinação tem um lugar muito grande no meu dia a dia.
Então tenho dificuldade de terminar tarefas do do dia a dia, coisas planejadas, rotinas que eu planejei. Então tento criar uma rotina de todo dia, fazer algo. Eu tenho muita dificuldade de concluir esse algo que eu planejei para ser recorrente no meu dia, sabe. Então isso é é um ponto de atenção muito grande para mim Ã.
Eu tenho uma questão também de paralisia, digamos assim. Então eu acabo ficando uma, duas semanas postergando algo, postergando alguma grande tarefa ali que eu tenho que fazer, Mas quando a água bate na bunda ali, quando a pressão vem, eu consigo concluir aquilo em uma ou duas horas, um trabalho que demoraria duas semanas, por exemplo, para ser feito de forma tranquila. Então esse também é um é um grande ponto de atenção para mim Ã. Outra questão é questão de esquecimento e perdas, também relacionados ao TDAH.
Então eu tenho dificuldade de lembrar onde eu deixei muitas coisas. Eu tenho a vantagem de usar um relógio como esse, que ele encontra meu celular. Então muitas vezes eu perco meu celular pela casa e aí eu uso o relógio para encontrar o celular ali. Então isso me salva muito.
Mas é muito comum eu esquecer nome de pessoas, eventos que aconteceram, datas que aconteceram, ã ou sei lá, às vezes até sentimentos que eu tive com com alguém. Alguém me magoou, por exemplo, ou brigou, enfim qualquer coisa que aconteceu. Assim eu esqueço bastante rápido. Sabe, grande parte desse desses sentimentos, dessas coisas que aconteceram >>.
. E muitas vezes também tem uma inquietação e uma dificuldade de ficar sentado quando tô com minha cabeça fervilhando. Então às vezes tô muito empolgado com alguma ideia, com alguma coisa nova que tá tá acontecendo ali e eu tenho dificuldade realmente de ficar sentado, parado. Só pensando naquilo.
Eu acabo levantando e andando de um lado pro outro e pensando Às vezes: tá falando em voz alta, assim. Então isso é uma coisa muito comum de acontecer comigo. Sabe, Eu o enfim, isso é muito da minha, da minha rotina. E aí, olhando para as questões do autismo mesmo agora, o primeiro ponto que que mais me chamou atenção foi a questão da bateria social que eu tive.
Que bateria social tem duração de 2 horas. Ali É o tempo máximo que eu consigo estar numa roda de pessoas conversando sem ter um cansaço mental gigantesco. Então às vezes eu saio com alguns grupos de amigos, a gente conversa bastante, é super divertido, mas vai passando de duas horas ali eu já não tô aguentando mais assim eu começo a entrar num estado de apatia muito grande. Então eu preciso de um tempo sozinho eu.
Preciso de estar comigo mesmo. Então isso faz, isso, faz falta depois desse tempo ã socializando. Outro ponto também é é a máscara social, mas que é um esforço constante de planejar formas de reagir. Por exemplo, tem alguém me contando algo super feliz, mas eu tô ali meio cansado já.
Eu mantenho um sorriso quase que forçado assim, uma empolgação quase que forçado para demonstrar essa alegria, para demonstrar essa excitação por aquele assunto. Mas na prática aquilo é um, é um mesping. Eu tô forçando aquele sentimento ã que é muito cansativo. Também acontece muito de sei lá, eu vou na padaria comprar alguma coisa.
Eu já vou indo pra padaria pensando em como que eu vou pedir aquilo pr pra pessoa tipo ai vou falar: boa tarde, tudo bem n Eu já penso exatamente o que que eu vou falar para aquela pessoa. Sabe, É uma coisa. É uma coisa muito comum Ã, então isso, isso acontece com bastante frequência. Outra coisa também que é que é bem comum é a rigidez, a imprevistos.
Então eu tenho muita dificuldade de aceitar imprevistos quando eu tenho algo bem planejado assim, Então eu uso muito agenda, eu uso muito gestor de tarefas e quando algo foge do meu esperado, aquilo me incomoda muito. Tipo, se eu planejei chegar em tal lugar às 16 horas, eu planejei chamar o Uber às 15:30. Se d 15:30 eu não tô pronto ainda eu tenho que fazer alguma coisa, Eu só vou chamar Uber 15:45. Isso tudo me deixa bastante estressado, bastante irritado assim, porque eu tenho uma dificuldade muito grande de lidar com essa, com essa quebra de expectativa, mesmo nas coisas que que eu planejei.
Outro ponto também, ah, são os hiperfocos aleatórios. Então às vezes eu tô muito focado em algum assunto e eu acho que com uma inteligência artificial hoje em dia isso se expandiu muito mais, porque às vezes me bate dúvidas muito específicas e eu começo a pesquisar profundamente sobre aquele assunto e a estudar sobre aquele assunto. Então isso acontece com muita frequência. Assim, por exemplo, eu tava pesquisando tempos atrás sobre a evolução do, do homo sapien como todo, né da gente como ser humano.
De onde que a gente veio, por que que a gente tem algumas questões no nosso corpo, porque algumas formas do nosso corpo são como são. Então eu ficava pesquisando sobre isso durante muitas horas. Eu acho que com a IA isso ficou ainda mais comum, porque eu consigo perguntar e conversando e tirando dúvidas e tudo mais, como se fosse um professor ali disponível o tempo todo para mim, que por um lado é bom, mas por outro assim. Faz com que eu cada dúvida que eu tenho, eu vá muito atrás e queira saber muito sobre isso.
Então é, é algo bem, bem recorrente assim de de acontecer. Eu acho que o último ponto sobre sobre Teia é sobre algumas sensibilidades físicas, digamos assim. Então, questões auditivas, por exemplo, tem muita dificuldade com barulhos. Eu não gosto de música alta, eu não gosto de barulhos repetitivos, tão batidas na mesa, barulhos de colher, ã, tudo isso me incomoda muito.
TV muito alto também me incomoda muito. Ã tem também uma certa fotofobia, né uma questão visual que é eu não gosto de luz muito forte. Então eu gosto de um ambiente iluminado, igual. Tá aqui agora tá bastante claro, pegando sol em mim.
Acho gostoso isso, mas eu não gosto, por exemplo, de uma luz artificial no meu rosto, do monitor do celular. Tudo isso me incomoda muito. Assim, quando são luzes artificiais E alimentar, que eu tenho uma rigidez muito grande com texturas gelatinosas. Então eu não gosto de gelatina, não gosto daquele sabor da gelatina.
Aliás, não é nem do sabor, é da textura da gelatina, aquela textura meio gelatinosa assim. Então aquilo me incomoda demais, assim eu acho uma textura que que me dá muito desgosto, é uma coisa que não me desce bem, assim eu não consigo gostar ã bem. E aí, passando agora pra questão da da vida profissional como um todo e dos estudos também, tem algumas dores também que que eu senti e que eu levei pr pra psicóloga nessa análise que eu fiz. Acho que a primeira foi minha dificuldade muito grande com o EAD.
Então eu não consigo ter foco muito grande ali em videoaulas, em áudios, em conteúdos que sejam assim, ficar parado consumindo aquele conteúdo. Eu preciso. De uma coisa que eu seja mais ativo na hora de fazer. Por exemplo, ler um livro já me deixa muito mais focado.
Eu fico muito mais eh envolvido com aquilo do que se fosse puramente um, um vídeo sabe, Então funciona muito mais para mim. Assim, quando envolve questões de criatividade, rotina repetitiva, Então eu gosto de trabalhar com a criatividade de algo novo, algo que seja diferente, e me incomoda muito quando as coisas ficam muito rotineiras, ali que eu tenho que fazer a mesma coisa no trabalho todo dia. Isso me deixa bastante desmotivado. Então eu gosto de ter o desafio de algo diferente, de algo novo, algo legal para fazer, para testar uma forma diferente de fazer as coisas.
Então acho que eu sempre fui muito proativo no trabalho nesse sentido de pensar em formas diferentes de fazer as coisas. Sabe, H? O o peso de. Um ambiente de trabalho também me cansa bastante.
Então, quando eu estava em um trabalho onde eu não tinha apoio da liderança e das pessoas a minha volta- assim para me entender e também para me dar esse incentivo, esse gás de fazer as coisas de uma forma diferente Ã, isso me cansava muito- Eu passei por uma citação recente de pedido demissão de uma empresa justamente por isso, porque eu não tinha apoio ali, eu não tinha incentivo para fazer as coisas, não tinha suporte para tirar dúvidas, para perguntar e tudo mais. Então isso me deixava bastante irritado ali e e tirava toda minha motivação. Assim, Então acho que eu cheguei muito perto de um burnout nessa empresa justamente por isso, por essa falta de poder trabalhar criatividade, poder trabalhar a proatividade. Acho que tudo isso me faz muita falta no dia a dia.
Ã. Outro ponto também: de atenção, assim para mim dessa fase profissional é uma busca incessante para organização de tarefas. Então eu gosto muito de organizar coisas em pastas, gosto muito de catalogar coisas, gosto muito de documentar coisas. Então eu tenho muito essa característica assim de tudo para mim tem documentado.
Todos os filmes que eu já assisti no cinema estão documentados, todos os teatros que eu já assisti estão documentados e estão anotados, tem registro disso, assim em vários lugares. Então tudo isso tá registrado em algum lugar de alguma forma, sabe, Então? Então isso é, é um ponto bem comum, assim bem característico para mim. E aí, indo aqui pra nossa última parte do do vídeo, eu trouxe um pouquinho de quais foram meus resultados em alguns testes.
Então, por exemplo, no teste de QI, aqui ã, meu QI deu perfeitamente dentro da média, então deu 100 pontos ali O QI. Médio é de 100 pontos, só que o que chamou atenção foi uma discrepância. Então a minha velocidade de processamento visual é rápida. Então nos desafios, ali que eu tinha que encontrar padrões em imagens e tudo mais, eu fui muito acima da média.
Eu tive 124 pontos, só que memória eu já tive o número baixo, eu fiquei em 94 pontos. Então minha memória é ruim, mas minha velocidade de processamento de informação, de pensamento e tudo mais ela é bastante rápido, Ela é bastante rápido. Eu tive também um teste específico de memória que é o R VLT H, que disse que minha aprendizagem audiverbal ela é bem abaixo da média. Então eu não consigo aprender e lembrar de coisas são medidas apenas verbalmente.
Então se alguém chega e me pede uma coisa verbalmente, el vou ter muita dificuldade de lembrar disso e de saber que eu realmente tenho que fazer isso. Então eu gosto muito quando as coisas são escritas e anotadas. Isso me ajuda bastante. Então esse negócio de pedir coisas só de boca assim não funciona muito para mim.
E até um um ponto aqui fora do vídeo, né, Tô até com a tesoura aqui na mão mexendo, porque eu tenho esse toque de ficar mexendo em várias coisas assim sem ã, enquanto tô pensando. Enquanto eu tô falando assim acaba acontecendo muito isso de tá mexendo em alguma coisa aqui Ã. Na escala de impulsividade ã, meu índice de falta de concentração e persistência bateu um ponto extremamente superior. Então eu sou uma pessoa bastante impulsiva, o que faz que, biologicamente, quando eu começo alguma coisa é difícil de terminar, porque eu fico muito mais empolgado com o novo, com o diferente, com algo inovador assim que que eu consigo fazer.
Então esse esse também é um ponto de atenção que saiu ali dos meus testes à e a escala de responsividade, que é o padrão ouro para autismo, onde eu pontuei 64 pontos no total ã e que eu fico ali num nível moderado. Então por isso que deu o meu meu autismo, Esse teste. Eu não entendi muito bem ele, mas foi o que indicou que realmente eu tenho ali o autismo. Então é, é só para compartilhar com vocês mesmo essa informação.
Mas é isso assim. Esse foram vários pontos que que me chamaram a atenção e me fizeram acreditar e buscar realmente a avaliação neuropsicológica. Se você se identificou com alguns desses pontos ou com todos eles, super recomendo você buscar também a avaliação. Acho que vai ajudar você aí a se entender muito mais.
Acho que a ideia da avaliação não é se rotular e criar um certo vitimismo, mas é muito mais: você ter um manual de como lidar com você mesmo, de entender como você funciona, de entender que você vai ter dias mais legais, dias menos legais, E é muito bom saber isso. Assim a gente começa a se aceitar de forma muito mais tranquila. Mas é isso. Espero que você tenham gostado desse vídeo.
Se você gostou, deixa um curtido aqui embaixo e me conta nos comentários o por que você tá procurando esse tipo de conteúdo. Mas eu vou ficando por aqui. Um grande abraço. Te vejo no próximo vídeo.